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Subnotificação esconde o que seria a segunda onda de COVID-19

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Wuhan, China - East Asia, Corona virus, Pneumonia

O Brasil vive neste momento um cenário de subnotificação extrema dos casos de contaminação e de óbitos por covid-19. Segundo o médico Domingos Alves, professor do Laboratório de Inteligência em Saúde (LIS) da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da USP, que também é um dos pesquisadores da covid-19 no Brasil, os 60 mil óbitos de Síndrome Respiratória Agudos Grave (SRAG), registrados como “não identificados” deveriam ser somados aos mais de 150 mil casos de mortes reconhecidas como sendo por covid-19. Ainda segundo o médico, ou temos outra epidemia de infecção respiratória ou essas mortes deveriam ser contabilizadas também como covid-19.

Na semana passada, diretores de grandes hospitais da rede privada da capital de São Paulo fizeram um alerta sobre aumento importante nas internações por covid-19. Provocada pela imprensa, a Secretaria de Saúde municipal negou que o mesmo estivesse ocorrendo na rede pública, porém outra plataforma de monitoramento, a desenvolvida pelo projeto de pesquisa SP Covid Info Tracker, registrou um crescimento de 21,57% das internações na rede pública da Capital nos últimos sete dias (de 11 a 18 de novembro). Apenas ontem (dia 18/11) a prefeitura paulistana admitiu que há realmente um aumento nos números da doença na cidade e estendeu as medidas de isolamento social até o final do mês.

Ainda segundo o dr. Domingos, confusões como essa na divulgação dos números, vem acontecendo em todo o país de forma sistemática desde setembro. “Os Estados estão soltando os dados (sobre a doença) em tempos distintos. Passa uma semana, ou um final de semana, sem divulgar nada. Aí quando volta, provoca aqueles picos (falsos)…”.

Para afirmar que está havendo crescimento de casos no País, Domingos usa como termômetro o cálculo do índice de infecção (Rt), que era de 0,95 no começo de outubro. “Quem puxava essa alta, que eu já considerava alta, eram quatro Estados. De 26 para 27 de hoje taxa de infecção da Capital de São Paulo  já está em 1,37. “Isso significa que 100 pessoas com o vírus estão transmitindo para 137 outras pessoas”, explica. Hoje, a Rt do Brasil é 1,15.

Segundo Marilaine Colnago, matemática e pesquisadora do projeto Covid Info Tracker, chama a atenção para o grande número de casos suspeitos. “É a grande explosão que verificamos na Capital. Mais de meio milhão de casos suspeitos monitorados, um número que sobe sem parar desde agosto”. A Comissão Intergestores Bipartite do Estado de São Paulo publicou uma deliberação (CIB-75) em 15 de setembro onde define que casos de Síndrome Gripal e de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) são suspeitos de COVID.Ontem, o Estado de São Paulo tinha 697.080 casos suspeitos, 544 mil na capital.

Enquanto se discute se no Brasil está tendo uma segunda onda de infecção da covid-19, muitos especialistas afirmam que o Brasil ainda não saiu da primeira onda. Para termos certeza de que se trata de uma segunda onda teríamos que ter dados confiáveis, tanto no número de mortes como no número de contaminações e infelizmente não é isso o que acontece no nosso país, desde o início da pandemia, uma vez que o Brasil é um dos países que menos fez testes na população. Apesar da grande importância do SUS e das agencias sanitárias no combate à doença, as ações dependem muito das informações reais dos casos e o não reconhecimento  é como pintar o  termômetro para esconder a febre o que parece ser uma tática recorrente do governo federal.

Por: Gilmar Ortiz de Souza | PO da diocese de Santo André.

Para ver o artigo completo vide: https://www.congressointernacionaldotrabalho.com/not%C3%ADcias-boomsp)

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