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Carta aberta dos trabalhadores da construção civil

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Print da tela da sala de reuniões

No dia 23 de Fevereiro de 2021, Trabalhadores da Construção Civil se reuniram com a Pastoral Operária do Regional Sul 1 – Estado de São Paulo, para conversarem sobre a atual situação da categoria. Os trabalhadores da Construção Civil trouxeram muitas denuncias que vamos descrever abaixo:

1) Muitas empresas não cumprem os Direitos Trabalhistas, como: registo em carteira, pagamento de FGTS, vale transporte, cesta básica, café da manhã e da tarde, falta área de convivência e alimentação, vestiário e banheiro dignos;
2) Neste sentido o trabalho intermitente, instituído após a última reforma trabalhista, é um mal. Hoje tem onde trabalhar, amanhã já não sabe. Porém as contas veem do mesmo jeito.
3) Há muitos acidentes e mortes no trabalho por não cumprirem a NR 18 (Norma Regulamentadora 18 – que traz as regras para segurança no trabalho). Se o trabalhador não tiver Registro em Carteira à situação fica ainda mais difícil, já que é largado a própria sorte. A frase utilizada pelos trabalhadores que melhor explica a situação foi: “Se morreu, amanhã tem outro no lugar”. Em muitos casos não há uniformes e somos obrigados a dormir no porão da obra, sem a menor segurança;
4) COVID-19: esta se espalhando pela categoria e várias ações dos patrões têm colaborado com isso: falta álcool em gel, em muitos casos água e sabão para se lavar nas obras. Já tivemos obras paralisadas por causa da contaminação geral dos trabalhadores. De novo, se não tiver Registro em Carteira, é abandonado à própria sorte. Outra situação que agrava a contaminação são os transportes coletivos (Trens, Metrô e Ônibus) que estão sempre lotados. Os trabalhadores geralmente moram distante do local de trabalho, tendo que pegar uma ou mais condução para ir e para voltar ao trabalho, isto não é diferente com os Trabalhadores da Construção Civil;
5) Muitos trabalhadores veem do interior: da roça ou de cidade pequena e não tem conhecimento dos direitos. É presa fácil para o patrão;
6) “Alguns empresários, chamados de ” GATOS”, recebem da empreiteira o dinheiro para pagar a obra, porém somem sem fazer o pagamento. Em vários locais o sindicato interveem junto a Construtora exigindo o pagamento da “peãozada”, mas em outros não;
7) O que se percebe de forma geral é que o governo atual com apoio dos militares e dos empresários está tirando todos os direitos dos trabalhadores.
Mas alguns anúncios foram feitos:
1) Há sindicatos do lado do trabalhador exigindo o cumprimento da lei;
2) Quando o “GATO” não paga, em muitos locais o sindicato exige da construtora o pagamento;
3) A Solidariedade de Classe foi e continua sendo uma arma poderosa contra a opressão. Assim estar junto aos trabalhadores procurando esclarecer as dúvidas trabalhistas, nos momentos de maiores necessidades apoia-lo é fundamental neste momento em que as pessoas são cada vez mais vista apenas como um simples número e não como filhas e filhos de Deus Pai-Mãe.

São Paulo, 23 de março de 2021.

Trabalhadores da Construção Civil
Pastoral Operaria do Regional Sul 1 – Estado de São Paulo

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