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Síntese do módulo 1 – Mutações no mundo do trabalho

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Módulo 1 – Mutações no mundo do trabalho

Cesar Sanson – Professor de Sociologia do trabalho na Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Cesar Sanson inicia apresentando dados do Brasil: 15 milhões de desempregadas/os; 6 milhões de desalentadas/os (quem desistiu de procurar qualquer ocupação e está desesperançada/o); 35 milhões de informais, o que totaliza 50 milhões de trabalhadoras/es em condições vulneráveis. Considerando que a PEA – população economicamente ativa é de 90 milhões, temos 60% de pessoas sem proteção social.  Realidade agravada pela pandemia que cortou 8 milhões de postos de trabalho e causou o retorno da fome. Registra-se 19 milhões de pessoas com fome.

                Com este quadro, o Brasil passa a ser uma sociedade estamental, na qual não há mobilidade social, em que as pessoas não conseguem romper com a situação, nem lutar por direitos. E aí reside uma primeira característica a se ressaltar sobre as mutações no mundo do trabalho que é a “ofensiva contra os direitos”. A burguesia brasileira rasga a CLT – Consolidação das leis do Trabalho, quando promove a reforma trabalhista, que suprime a base mínima de direitos historicamente conquistados. E esta Reforma, trazendo consigo, o aprofundamento das terceirizações e a implantação da Carteira Verde e Amarela, que arrasam com os direitos.

               Uma segunda característica a se observar é a “evolução das forças produtivas”. A revolução tecnológica 4.0 é a mudança no capitalismo mundial que traz consigo elementos como: inteligência artificial; impressoras 3D; nanotecnologia; e outras tantas inovações na área da informática. É o chamado capitalismo de plataforma, que apresenta grandes corporações na área, como por exemplo, a UBER, que justamente deu origem ao conceito de uberização do trabalho. Quem trabalha neste sistema vivencia uma total e completa ausência de regulação do trabalho: não há jornada, não há local de trabalho, as/os trabalhadoras/es são responsáveis pelos instrumentos necessários ao serviço. 6 milhões destas/es trabalhadoras/es em aplicativos atuam no Brasil.

Estas/es apresentam desejo pela emancipação, autonomia e chegam a sentir uma sensação de liberdade, o que vem a ser contraditório, porque na verdade são seduzidas/os pela ideologia do empreendedorismo. Esta ideologia, de cunho liberal, que responsabiliza os indivíduos e desresponsabiliza o capital, jogando  a culpa de um “fracasso” sobre os ombros das pessoas, caso seus “empreendimentos” não sejam exitosos.

Esta revolução tecnológica também empurra ttabalhadoras/es para serviços precários, como o telemarketing por exemplo, e joga a classe trabalhadora na impossibilidade de obter previdência, tendo em vista a Reforma da Previdência realizada.

                A terceira característica a se apresentar é a “financeirização da esfera produtiva”. Nos séculos XIX e XX, capitalistas costumavam abrir empresas para expandir seus negócios e isto gerava empregos. Hoje, o capitalismo imaterial leva a aumentar a produção sem gerar empregos. A expansão dos negócios fixa-se no mercado financeiro, que não retorna nada para a sociedade. Gera pouquíssimos empregos e grandes rendas para acionistas. Dentro desta característica, vemos a política também dominada pelo sistema financeiro.

                Sobre o futuro do trabalho o professor Cesar Sanson coloca uma questão central:

– Até então, salários eram fonte de inclusão social, de obtenção de elementos para a vida. Com o rompimento disto, como as pessoas vão se incluir na sociedade?

Sobre a questão, Cesar  aponta quatro temas a serem debatidos: Renda cidadã; economia solidária; trabalhos socialmente úteis que podem ser remunerados (cuidados com idosos, crianças e outros); programas sociais de renda, como Bolsa Família e Auxílio Emergencial.

Segundo o professor, o dinheiro existe; é necessário reparti-lo, fazendo-o retornar à sociedade.

                Sanson cita também que diante de tantas ofensivas, novas formas de luta se mostram, como se viu com o breque dos APPs. E outras formas virão. E após a exposição, diante de uma pergunta sobre a validade das lutas em anos anteriores, o professor arremata: nenhuma luta é em vão. Toda luta é importante.

Texto: Antonia Carrara | GT PO e 6ªSSB

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