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Síntese do Módulo 2: trabalho no contexto da pandemia

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08 de junho 2021

“O trabalho no contexto da pandemia”. Assessoria de Sandra Gemma.

                A professora Sandra Gemma afirma que vivenciamos a sociedade do cansaço. E é um cenário que traz impossibilidade de que se faça trabalhos bem feitos. Quem está indo ao trabalho está sobrecarregado e tem que pegar transporte público, entre outras dificuldades. Quem está trabalhando em casa, se encontra sem condições adequadas e sem recursos para trabalhar. Isso tem custo para a saúde. Assim, o cenário pandêmico aprofunda as questões de exploração.

                Sandra explica que, para se criar ferramentas de mobilização a fim de conquistar melhores condições de trabalho é preciso conhecer as nuances do trabalho. Olhar o trabalho por dentro do trabalho. Ergonomia da atividade é estudar os seres humanos em situações reais. E não é só demanda física, mas também demanda intelectual para percebermos os desgastes, os problemas. Precisamos estudar as/os trabalhadoras/es em seus locais, ter a compreensão de como o trabalho é efetivamente realizado, naquele local, naquele espaço,para então, construir as soluções, junto com as/os trabalhadoras/es.

A professora aponta:

– Trabalhar não é só realizar a execução, mas precisa inteligência, pois cada atividade, até mesmo as mais simples, exige que se tome decisões, pois cada trabalho tem sua singularidade e exige ajustes.

– Trabalhar não é simplesmente seguir regras, porque a realidade é impossível de ser prevista. Existe uma confiança de que se o trabalho for bem planejado, as pessoas só vão chegar e executar o trabalho. Isto não é verdadeiro.  É tão verdadeiro que trabalhar não é só seguir regras, que para certos trabalhos é preciso ficar atentos a ruídos e outras nuances, para que se possa fazer o trabalho.

– As pessoas têm que se engajar com corpo, mente e emoções, como nas atividades de cuidados, a exemplo de profissionais da saúde e cuidadoras/es de idosas/os. Não existe trabalho bem feito, se não houver o engajamento do afeto. E nem sempre são recompensados por este tipo de investimento emocional.

– Há os trabalhos obscuros, que não são valorizados, como porteiros, limpeza e outros.

– Não é possível entender as pessoas como máquinas, não dá para comparar, até porque as máquinas foram feitas pelos humanos. A inteligência humana supera muito a inteligência das máquinas. Mesmo as máquinas que aprendem sozinhas, aprendem sobre questões específicas, não têm condições de se regenerar.

                Sandra Gemma destaca conceitos importantes para entender o trabalho nas suas miudezas:

 Distinção entre tarefa e atividade

Tarefa é o trabalho prescrito, o que é solicitado para se fazer, com as regras determinadas. Tudo o que pode ser antecipado a priori.

Atividade é como se coloca o corpo, inteligência e afetos no trabalho a partir da história da pessoa, de seu físico, sua morfologia. E como se coloca para resolver os problemas que não foram contemplados e que a realidade pede na hora de trabalhar. Aí são necessários os ajustes, as regulações. E precisa haver tempo para resolver. Se não há tempo, ocorre o sofrimento.

Variabilidade e diversidade – são elementos que dificultam a realização de trabalhos. Há variabilidade nos fatos, nas ferramentas, nas questões e problemas que acontecem em cada dia. Também tem variabilidade nas pessoas, em relação a si mesmas, variações internas que teem que ser consideradas no mundo da produção, no mundo do trabalho.

Avaliação individualizada – o trabalho é coletivo, mas nos ambientes existe a avaliação individualizada de desempenho, que traz sofrimento a quem trabalha. O quanto cada pessoa doa de si, não se consegue medir. A avaliação individualizada é um problema no mundo do trabalho.

Relação entre valores e trabalho – é importante conciliar valores pessoais com o trabalho, pois quando não se tem isto, acontece o sofrimento ético.

Bem viver no trabalho – Boa convivência com colegas, chefias, clientes é importante para que o trabalho dê certo.

E tudo isto é diferente para homens e mulheres.

A professora complementa: se o trabalho é digno, com boas condições, ele será promotor de saúde e vai reafirmar a identidade das pessoas.  Por outro lado, se for um trabalho realizado em más condições, ele pode ser patogênico, ou seja, fonte de adoecimento, de sofrimentos, e até mesmo de suicídio. Traz danos inclusive, à dignidade e à auto estima.

Texto de Antônia Carrara | PO Santo André-SP

 

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