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34ª Romaria da classe trabalhadora

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COM MARIA, REZAMOS E LUTAMOS. POR SAÚDE, TRABALHO E MORADIA

A romaria das trabalhadoras e dos trabalhadores junta a força da religiosidade popular com as reivindicações da luta do povo trabalhador. Há 34 anos, vem reunindo, anualmente,  milhares de pessoas que partem de várias localidades dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais, chegando ao Santuário de Aparecida – São Paulo. Neste ano, para evitar contágios diante da pandemia de COVID 19 não poderemos seguir em romaria: nos veículos, nem na caminhada.

Por isto, faremos as reflexões da romaria do local de onde estivermos. Serão publicadas mensagens  para reflexões de alguns temas “saúde”,  “trabalho”  e  “moradia”.

 Caminhada também é construção

Romaria sempre nos lembra o povo de Deus no livro do êxodo: “Moisés fez Israel partir do Mar Vermelho, e eles se dirigiram para o deserto de Sur. Caminharam três dias no deserto e não encontraram água.” Ex 15,22.  “Toda a comunidade de Israel partiu de Elim e chegou ao deserto de Sin, entre Elim e o Sinai, no dia quinze do segundo mês após a saída do Egito” Ex 16,1. A experiência de Israel que saindo da dura servidão no Egito, percorre o deserto rumo a Terra Prometida, o que é muito significativo para nós, que também caminhamos na esperança do mundo justo. Mas não só na esperança, romaria também significa as caminhada do dia a dia, em que além de pedirmos forças  a Deus e Nossa Senhora, também vamos fazendo a nossa parte e construindo o mundo que desejamos.

Nossa romaria propõe que não fiquemos somente na realização de promessas e pedidos individuais, mas que possamos buscar o milagre coletivo, a união na luta, a participação e a solidariedade!!! Nossa Mãe Aparecida sempre enfrentou as mais difíceis situações com coragem e sabedoria, como na passagem em que está reunida com os apóstolos: Todos eles se reuniam sempre em oração, com as mulheres, inclusive Maria, a mãe de Jesus, e com os irmãos dele. Atos dos Apóstolos 1,14. Ou mesmo na passagem do Magnificat, quando acolheu com coragem o anúncio tão desafiador  que lhe foi colocado e respondeu com as palavras que até hoje nos fortalecem: “Minha alma engrandece ao Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, pois atentou para a humildade da sua serva. De agora em diante, todas as gerações me chamarão bem-aventurada, pois o Poderoso fez grandes coisas em meu favor; santo é o seu nome. A sua misericórdia estende-se aos que o temem, de geração em geração. Ele realizou poderosos feitos com seu braço; dispersou os que são soberbos no mais íntimo do coração. Derrubou governantes dos seus tronos, mas exaltou os humildes (Cf. Lucas 1, 46-52).

A romaria das trabalhadoras e trabalhadores apresenta uma simbologia que denuncia e anuncia.

         Denuncia a exploração e a discriminação, pois os pescadores que encontraram a imagem de Nossa Senhora Aparecida eram trabalhadores muito explorados pelos senhores da época (1717) e por serem negros e discriminados, seu sofrimento aumentava. E isto acontece ainda hoje, mas com direitos já conquistados pela classe trabalhadora e por lutas e consciências anti racistas.

         Anuncia a esperança e incentiva a perseverança, pois nosso símbolo maior de fé, Nossa Senhora, a Padroeira do Brasil é uma mulher negra, o que reforça além de tudo, a luta das mulheres “pelo bom, pelo justo, pelo melhor do mundo”, como disse certa vez, Olga Benário.

27º GRITO DAS/OS EXCLUÍDAS/OS

Desde o ano de 1995, quando ocorreu o 1º Grito das/os Excluídas/os, esta Romaria ocorre em conjunto com o mesmo. O Grito está em seu 27º ano e traz o tema: NA LUTA POR PARTICIPAÇÃO POPULAR, SAÚDE, COMIDA, MORADIA, TRABALHO E RENDA JÁ!

O que a Romaria não é

Quem prepara e participa da Romaria dos trabalhadores e das trabalhadoras deixa bem claro, o que representa toda essa movimentação, que se inicia no mês de fevereiro, com a preparação das místicas, venda de passagens de ônibus e reflexões em conjunto

 Não é uma simples festa, mas um momento de denúncia e anúncio

Denunciar sempre o sistema capitalista, que gera os problemas para a classe trabalhadora e anunciar que é possível viver de outro jeito (Reino de Deus, mundo novo, sociedade justa….) São 26 anos, que sempre nesta época, as pessoas sabem que tem lá o espaço para gritar.

Não é passeio, mas uma caminhada para alimentar a fé, que é um sentimento coletivo. Se pensarmos só em alimento de corpo, somos mais “bichos” e menos humanos. Daí, a importância desta grande reunião, a fim de adquirir forças para as lutas do dia a dia. O tema “Mãe Aparecida, ajude a libertar a juventude esquecida” vem lembrar à juventude, o poder de sua força de transformação, recentemente demonstrada, nas manifestações que ocorrem por todo Brasil e chamar aos movimentos, aqueles jovens que são discriminados e “esquecidos” e assim, reafirmar o fato histórico de que é o povo trabalhador organizado que transforma a realidade de injustiça.

Não é um esforço para juntar pessoas, mas um processo em que as pessoas desejam estar juntas para sentir a força e energia do coletivo. Ela é grande, junta muita gente, mas não por convocação e sim, por espontânea paixão. As pessoas sentem que não estão sozinhas e isto fortalece suas militâncias.

Não é um movimento com controle de presença, mas uma abertura de espaço para a participação.

Não é um ato para emocionar, mas para indignar, para saber que a fé tem suas consequências políticas (anima o protagonismo e por conseguinte, a luta popular) Em geral, os romeiros participam de conselhos, movimentos etc…

Não é uma entidade com direção ou algo assim, mas resultado de um desejo coletivo e cuja organização é de uma equipe de apoio, voluntária, com atitudes baseadas na Bíblia e tendo como exemplo, a imagem de Nossa Senhora que é a própria imagem de Maria que disse: “Derruba do trono os poderosos e eleva os humildes”.

Texto de Antonia Carrara | PO Santo André-SP

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