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Informais e subocupados respondem por oito entre cada 10 novos empregos

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“Na prática, os dados da PNADC mostram uma deterioração constante e crescente do mercado de trabalho”, é o  que escreve Lauro Veiga Filho, em artigo publicado no Jornal GGN, 01-12-2021.

Informais e subocupados respondem por oito entre cada 10 novos empregos

Alvíssaras, exclama o bobo da corte ao receber a edição mais recente da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Afinal, a tão decantada reação do emprego já desponta com força no horizonte azulanil dessa terra abençoada e bonita por natureza. Os dados não mostram isso? O número de pessoas ocupadas no terceiro trimestre deste ano cresceu em torno de 4,0% na média brasileira e perto de 5,0% em Goiás, na comparação com o trimestre imediatamente anterior, saltando, na mesma sequência, 11,4% e 10,0% se comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Tudo bem, o salto ocorreu em relação ao pior momento para o mercado de trabalho na série histórica do IBGE. Mas, enfim, cresceu.

Ironias à parte, claro que a base muito baixa deve ser levada em conta, embora não seja a única ponderação a ser feita. Um olhar mais cuidadoso sobre os números trazidos pela pesquisa, que ganhou nova ponderação para tentar minimizar os transtornos causados pela pandemia, mostra que o crescimento do emprego tem sido turbinado principalmente por informais e por trabalhadores subocupados, que ocupam vagas temporárias ou de meio período, insuficientes para assegurar a remuneração necessária para fazer frente a todos os gastos da família. Uma “grande conquista” fabricada no bojo da reforma trabalhista, que reduziu direitos trabalhistas a pretexto de baixar custos para as empresas e facilitar, ora vejam só, o aumento das contratações.

O total de ocupados em todo o País havia despencado de 95,515 milhões no último trimestre de 2019 para 83,439 milhões no terceiro trimestre do ano passado, correspondendo ao fechamento de 12,080 milhões de vagas. O número de ocupações havia alcançado 89,384 milhões no segundo trimestre deste ano e subiu para 92,976 milhões nos três meses seguintes, o que significou a contratação de mais 9,537 milhões de trabalhadores desde o terceiro trimestre do ano passado, num avanço de 11,4% como já registrado mais acima. Em Goiás, as variações seguem ritmo semelhante, com o número de pessoas ocupadas saindo de 3,062 milhões no terceiro trimestre de 2020 para 3,208 milhões nos três meses finalizados em junho deste ano e avançando até 3,369 milhões no trimestre seguinte. O crescimento de 10,0% em relação ao terceiro trimestre do ano passado correspondeu à abertura de 307,0 mil empregos.

O outro lado

Em todo o País, o total de subocupados por insuficiência de horas trabalhadas atingiu sua marca mais elevada no terceiro trimestre deste ano, num recorde de 7,771 milhões de trabalhadores (ou 8,4% do total de ocupados, frente a 7,5% no mesmo trimestre do ano passado). O número cresceu praticamente 23,9% em quatro trimestres (1,498 milhão de trabalhadores a mais do que no terceiro trimestre do ano passado, quando os subocupados somavam 6,273 milhões). Além disso, o número de informais aproximou-se de 39,965 milhões no trimestre encerrado em setembro último (incluindo trabalhadores sem carteira no setor público, categoria não considerada pelo IBGE ao estimar os números da informalidade no mercado de trabalho). No terceiro trimestre de 2020, a pesquisa contava 33,942 milhões de informais. Comparando os dois períodos, registrou-se um aumento de 17,7%, com 6,023 milhões de informais a mais – o que representou dois terços de todos os empregos criados no período.

Balanço

  • Em Goiás, o total de pessoas informais, sem direitos trabalhistas nem proteção previdenciária, cresceu 20,4%, saltando de 1,232 milhão para 1,483 milhão entre o terceiro trimestre de 2020 e o mesmo período deste ano, ou 251,0 mil informais a mais. Como o mercado como um todo abriu 307,0 mil vagas no mesmo período, a informalidade respondeu por 81,8% das novas colocações. Os subocupados por insuficiência de horas trabalhadas, um eufemismo para enquadrar trabalhadores que não conseguem trabalhar por tempo suficiente para assegurar rendimentos dignos, cresceram 20,8% na mesma comparação, saindo de 140,0 mil entre julho e setembro de 2020 para 169,0 mil em igual trimestre deste ano.
  • Juntos, informais e subocupados passaram de 40,215 milhões no terceiro trimestre do ano passado em todo o País para 47,736 milhões na aferição mais recente, numa elevação de 18,7%, correspondendo a um incremento absoluto de 7,512 milhões. Isso significa dizer que praticamente 78,9% de todos os empregos abertos no período foram ocupados por informais ou subocupados. Mais da metade dos ocupados, portanto, algo como 51,3% passaram a ser informais ou subocupados. O dado explica, na média do País, porque o rendimento real (descontada a inflação) atingiu seu mais baixo valor na série histórica do IBGE, iniciada em 2012, caindo 11,1% entre o terceiro trimestre de 2020 e o mesmo trimestre deste ano, saindo de R$ 2.766 para R$ 2.459.
  • Esse comportamento afetou a chamada massa salarial real (igualmente em valores atualizados com base na inflação). A massa salarial corresponde à soma de todos os rendimentos recebidos pelos trabalhadores e recuou de R$ 225,237 bilhões no terceiro trimestre do ano passado para R$ 223,549 bilhões neste ano (-0,7%), no sexto trimestre de perdas de renda para as famílias. A queda reflete, além da redução do ganho médio por trabalhador, a aceleração da inflação desde o trimestre final do ano passado. Obviamente, o efeito central desses movimentos no mercado de trabalho será um enfraquecimento adicional da demanda, a ser afetada negativamente ainda pelo encarecimento do crédito.
  • Em Goiás,na soma de informais e subocupados, o número cresceu de 1,372 milhão para 1,652 milhão entre julho-setembro de 2020 e igual intervalo deste ano, representando 49,04% do total de ocupados. A variação de 20,4% correspondeu à entrada de 280,0 mil trabalhadores naquelas duas categorias, nada menos do que 91,2% de todos os novos empregos abertos em um ano.
  • As taxas de desemprego no País e em Goiás baixaram de 14,9% e 13,5% no terceiro trimestre do ano passado para, respectivamente, 12,6% e 10,0% no mesmo período deste ano. O número de desocupados caiu de fato 7,8% e 21,7% no País e em Goiás na mesma comparação (de 14,958 milhões para 13,453 milhões e de 479,0 mil para 375,0 mil, na mesma ordem). Esses números mostram melhoria, sim, mas porque aumentou o número de pessoas que passaram a realizar trabalhos de baixa remuneração, em geral temporários, sem férias, 13º salário e outros direitos.

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