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PO discute Dívidas Sociais e a Precarização do Trabalho na América Latina 

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PO discute Dívidas Sociais e a Precarização do Trabalho na América Latina 

Um projeto em parceria com a Rede Jubileu Sul Brasil e Rede Jubileu Sul América, apoiado pela União Europeia, discutem sobre as “Dívidas Sociais na América Latina”. A Pastoral Operária, como instituição membro da Rede Jubileu Sul Brasil, tem colaborado nessa reflexão, a partir da discussão sobre o mundo do trabalho

Na sexta-feira, dia 03-12-2021, aconteceu um “Ao vivo”, com a participação de Martha Flores, Nicaraguense, coordenadora geral da Rede Jubileu Sul América, e Luis Vargas, Venezuelano, residente no Equador, coordenador da JOC América (Juventude Operária Católica), na qual acompanha grupos de jovens trabalhadores em 5 países. 

“A dívida é resultado de um modelo desigual, um modelo que oprime os povos do sul (do mundo) e se sustenta na acumulação capitalista, racista, patriarcal e estrativista”, destaca Martha. Por isso, não se trata apenas do “perdão das dívidas publicas”, mas da reparação das dívidas sociais e ecológicas com os povos do sul. Não é por acaso que no Brasil o percentual de pessoas mais afetadas com o desemprego são negras e negros, que representam mais de 70% das desempregadas e desempregados. Também as mulheres são afetadas com baixos salários, os quais em média são 22% menor que o salário dos homens. 

No Brasil, a Auditoria Cidadã da Dívida (https://auditoriacidada.org.br/) relatou que, em 2020, 39,08% (1,381 trilhão) do orçamento do Governo Federal foi para pagar juros e amortizações da dívida. Enquanto o valor do Auxílio Emergencial consumiu 8,29% do orçamento da União, para salvar vidas. 

Martha enfatiza também “a disputa dos bens coletivos, dos recursos naturais”. As corporações e empresas transnacionais vem apropriando em nossos territórios da água, terra, madeira.  

O jovem Luis Vargas destacou a condição de precarização do trabalho no continente. “O salário em nosso continente é sempre o mais miserável para o custo de vida”. E chamou atenção: “o salário dos trabalhadores formais na América Latina, nunca estão equiparados ao valor da cesta básica”. Luís fala também do crescimento em número e decrescimento da qualidade do trabalho informal. Destacou também o desemprego juvenil e as condições de salários, sobretudo a desigualdade entre homens e mulheres. Luis destaca também as limitações para o jovem acessar a educação durante a pandemia, diante da fragilidade do acesso à internet. 

O desafio é muito grande para a juventude. Um relatório da OIT, sobre “tendências globais para o emprego juvenil 2020”, indica que a América Latina e Caribe tinha 9,4 milhões de jovens desempregadas e desempregados. Além disso, 23 milhões não estudam e nem trabalham, e mais 30 milhões só conseguem emprego informal. São 52 milhões de jovens, em idade de força de trabalho, 15 a 24 anos, incluindo empregados e desempregados. 

Qual o impacto desse “desperdício” da força de trabalho juvenil na América Latina e Caribe, por falta de políticas públicas e iniciativas privadas de valorização da força de trabalho juvenil? 

A esperança 

Para a Martha, a esperança está na organização popular, na luta conjunta, mais do que na luta setorizada. “Quando fortalecemos o campo popular, fortalecemos a confiança”. “Temos que aprender a escutar mais”, disse Martha, que também chama atenção para a necessidade de um bloco comum de bloqueio ao sistema neoliberal, como foi o bloqueio à ALCA (Acordo de Livre Comércio das Américas –  projeto dos Estados Unidos, derrotado após campanha popular, em 2005). 

Luis chama atenção para as greves, como “única que movimenta possibilidades de negociações”. Os governos e empresários/as não retrocedem nas suas propostas sem a reação da classe trabalhadora. Também destacou as alternativas como a Economia Popular Solidária. 

A reflexão contínua…

A Pastoral Operária do Brasil dará continuidade nesta reflexão em 2022, com um seminário nacional (virtual) sobre o mesmo tema e o lançamento de uma cartilha com Rodas de Conversas a serem realizadas nos grupos de base, em seguida sistematização da reflexão das rodas. 

Temos o desafio de ampliar essa reflexão em nível de América Latina, em conjunto com outras organizações que também lutam pela classe trabalhadora. 

Para acompanhar o “ao vivo” completo, acesse aqui o link direto facebook da PO Nacional.

 

Texto de Jardel Lopes – Liberado Nacional

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