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Mulher trabalhadora: força e resistência!

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Mulher trabalhadora: força e resistência!

8 de março de 2022

Por: Alessandra, Iguaracira, Luzarina, Marina e Mônica.

Neste 8 de março, queremos evidenciar a força e a resistência das mulheres. Como “se viraram” diante da pandemia, e da crise trabalhista, política, econômica e social em que vivemos? Como também, destacar a luta incessante e necessária, travadas pelas mulheres, por garantia de seus direitos no trabalho, emprego e políticas públicas. 

Tornar-se forte e corajosa, não é algo novo na vida das mulheres, apesar de vivências diferentes, os desafios tendem a serem os mesmos, tanto no ambiente de trabalho, familiar, educacional quanto no social. Lutar contra o patriarcado, a violência, feminicídio, sexismo, assédio moral, sexual, trabalho precarizado e mal pago, tripla jornada de trabalho, educação de filhos, entre outras, tem sido comum para as mulheres. Infelizmente. No entanto, isso aumentou com o isolamento social, muitas mulheres passam por situações inimagináveis, com níveis de estresse altíssimo. Vai desde se manter ou manter a família, ao trabalho precarizado (quando tem), até a luta cotidiana por políticas públicas, para garantir sua sobrevivência e/ou da família.

Uma pesquisa do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP (Faculdade de Medicina da USP) revelou que as mulheres foram as mais afetadas durante a pandemia de COVID-19, sendo que 40,5% delas apresentou sintomas de depressão neste período.  

Para mulheres chefes de família, não foi nada fácil. Segundo Luzarina Varela, articuladora regional da Pastoral Operária de Manaus, “Muitas operárias foram demitidas, as empregadas doméstica e diarista foram as primeiras serem dispensadas. As trabalhadoras da saúde, que trabalham nas cooperativas, também não receberam seus salários. Muitas dessas mulheres, aprenderam a fazer salgados para vender, com aumento do gás, fritam na lenha; outras recolhem roupas usadas, bota uma mesa na sua porta e vendem; fazem detergentes e/ou desinfetantes para vender e outras tantas contam com a rede de solidariedade das mulheres que trabalham, doando uma parte do seu salário para comprar cesta básica e até pagar aluguel. Nesse 8 de março queremos, homenagear também, as mulheres que criaram redes de solidariedade pelo Brasil a fora, dando um pouco de dignidade a outras mulheres na pandemia.”

No mundo do trabalho, o que já estava ruim ficou pior. Entre as mulheres jovens com crianças de até 3 anos as taxas de desemprego chegaram a 54,6% e a taxa de desocupação das mulheres que não moram com crianças nesta faixa etária é de 67,2%, de acordo com o estudo Estatísticas de Gênero: indicadores sociais das mulheres no Brasil do IBGE (2021).

A precarização das condições de trabalho, continua a impactar diretamente a vida das mulheres, pois elas ocupam postos de trabalho com os salários mais baixos, jornadas prolongadas e com poucos ou nenhum direito trabalhista. Segundo o relatório Global Gender Gap Report (Relatório Global sobre a Lacuna de Gênero) (2020), do Fórum Econômico Mundial, o Brasil figura a 130º posição em relação à igualdade salarial entre  mulheres e homens que exercem funções semelhantes, em um ranking com 153 países. Em determinadas situações o homem é visto como poderoso, confiante e assertivo no ambiente de trabalho, essas mesmas características são vistas como autoritarismo, agressividade e frieza nas mulheres. Isso significa que enfrentam um cenário de desigualdade e discriminação no mercado de trabalho.

Além disso, as mulheres são maioria nas ocupações mais precarizadas, no trabalho subcontratado, marcado pela informalidade sem garantias sociais, contribuindo para que a sua inserção se dê em condições precárias e inseguras, com intensificação da carga de trabalho, redução da remuneração e perda de direitos sociais.

As reformas trabalhistas e previdenciárias e a ausência de políticas públicas de garantia de trabalho e renda com dignidade tem como consequências o aumento do desemprego entre as mulheres. De acordo com o IBGE, a taxa de desemprego está em 17,1% para as mulheres. Significa que, em cada cem mulheres no mercado de trabalho, 17 estão procurando emprego e não encontram. Essa realidade tem como consequências o endividamento, a pobreza e a fome, sendo as mulheres as principais vítimas dessa violência sistêmica.

Os índices de violência, são altíssimos, sobretudo quando se remete às mulheres negras, considerando o racismo como agravante dessa violência. Uma em cada cinco brasileiras já sofreu algum tipo de agressão na esfera doméstica ou familiar, na maior parte dos casos, as agressões acontecem dentro de casa, por seus “parceiros”. Como a crise sanitária se arrasta, os casos só aumentam.

Ocupar espaços de poder e de decisão, tanto nas empresas quanto na política ou nos movimentos sociais é um desafio sem tamanho. Muito maior nos últimos anos, quando presenciamos o agravamento da violência política. As mulheres precisam exercer o direito de participação no processo eleitoral para serem parte na construção de uma democracia plena. O voto feminino pode contribuir para a mudança de uma política de morte presente em nosso país. Votamos de forma consciente.

Diante disso, e por serem as mulheres os novos “arrimos da família” gritamos por políticas públicas que atendam às necessidades básicas da mulher trabalhadora: maior número de creches, auxílio emergencial e renda básica com valor que atenda o mínimo de sustento para as famílias.

É fundamental a efetivação das políticas públicas voltadas para as mulheres, bem como fortalecer a identidade e autoestima sobretudo das mulheres pobres, indígenas e negras.

Coordenação Colegiada Nacional da Pastoral Operária.

Referências:

Mulheres foram mais afetadas emocionalmente pela pandemia. https://jornal.usp.br/ciencias/mulheres-foram-mais-afetadas-emocionalmente-pela-pandemia/

Taxa de desemprego entre as mulheres chega a 17,1%. Site O Especialista. Disponível em: https://oespecialista.com.br/taxa-de-desemprego-entre-as-mulheres/ Acesso em: 20 fev 2022.

LUSTOSA, Monalisa. Artigo | No Brasil, a fome tem rosto de mulher: nordestinas, mães, pretas e pardas. Site Brasil de Fato. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2021/08/26/artigo-no-brasil-a-fome-tem-rosto-de-mulher-nordestinas-maes-pretas-e-pardas  Acesso em: 20 fev 2022.

 

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