Início Conjuntura Síntese da primeira noite de Assembleia – 11 de março

Síntese da primeira noite de Assembleia – 11 de março

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Início com a mística – Alessandra (RS)  e  Luzarina (AM)

Sequência com coordenação de Jardel

-Jardel apresenta programação completa dos dias da Assembleia e  informa que há 68 pessoas inscritas para a Assembleia. 

15 dioceses da Região Sudeste

10 dioceses da Região Nordeste

1 diocese da Região Norte

8 dioceses da Região Sul

-Apresentação das respostas dos questionários da parte “Análise da Realidade”

    1. Principais problemas
    2. Causas
    3. Consequências

Conjuntura do mundo do trabalho com Márcio Pochmann

– O trabalho segue central. Há interpretações de que o trabalho perdera a centralidade devido a outras formas de relacionamento que colocam o trabalho em outro plano. Mas… Há pessoas desesperadas pelo trabalho remunerado, que é escasso.

– Há muito desemprego e subutilização do trabalho. Desemprego aberto – pessoas procurando trabalho que aceitam fazer qualquer coisa. Quem faz “bico” não é considerado desempregado pelo IBGE.

– Há os desalentados – tem custos com transporte, com o currículo, sem estímulo para procurar trabalho pois estão nessa situação há 1-2 anos.

– Hoje, a cada 10 trabalhadores, 4 estão desempregados. Isso é inédito no Brasil.

– No país há muito a ser feito. Há gente qualificada e não qualificada procurando trabalho. Terra sem produzir. Capital aplicado nos bancos esperando juros.

– Por isso, o desemprego não é um problema econômico. É problema político. Porque a maioria política não está preocupada com desemprego e as questões do trabalho.

– O problema é político porque os ricos não pagam impostos. E quem ganha pouco, até dois salários mínimos contribui com 40% de impostos, incluindo os impostos embutidos nos produtos que consome. As pessoas que ganham vinte salários mínimos ou mais não contribuem até 15% de impostos.

– É problema político porque há má distribuição de renda: se o PIB do ano passado fosse dividido para a população, cada família brasileira teria 11 mil reais mensais.

TODA ESTA SITUAÇÃO SÓ PODE SER MUDADA NO CONGRESSO.

– A última eleição elegeu 252 deputados vinculados ao agronegócio. Eles representam menos de 10% da riqueza produzida e empregam menos de 6% dos trabalhadores. Essa representação impede que agricultores da exportação paguem impostos. O sistema político não reflete a realidade brasileira. O Congresso não está preocupado com a distribuição de renda.

– Quantos trabalhadores tem no Congresso? Quantos negros? Quantas mulheres? Quantos jovens?

-Não votamos em partidos, ideias, programas, nós votamos em pessoas. Isso permite que tenhamos um parlamento distante da realidade.

A QUESTÃO DO ESTADO

– O diagnóstico feito pelos governos dos últimos oito anos pelo menos que diz que o país está parado porque o Estado é corrupto, tem muitas despesas, é gastador, etc.

– Diminuir o Estado então é a solução. Privatizar.  O Brasil é autossuficiente em petróleo. Privatizou a distribuidora de combustível e hoje precisa importar petróleo, dolarizando-o. O petróleo aumenta de preço e este aumento sobrecai sobre os transportes e todos os produtos, pois importamos petróleo. Aí a inflação cresce.

– Além da privatização, há corte de gastos, compressão sobre os gastos sociais, congelamento, o que derruba a qualidade dos serviços públicos e também os reduz. Não há nenhuma restrição sobre o pagamento de juros.

– Terceirização: desmonta-se os serviços públicos para serem movidos pela iniciativa privada. Se usa do argumento que é para contratar mais trabalhadores. Mas as empresas só contratarão mais trabalhadores se tiver demanda, não porque custa menos. Não dá certo essa receita.

REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA

– A estagnação econômica afasta o país das inovações tecnológicas, mas não é isto que destrói os empregos.

– Estamos na revolução tecnológica informacional, em que colocamos todas nossas informações na Internet. Colocamos dados, contatos, agendas, fotos, filmes, decisões de compra, roteiros de viagens, mensagens na internet. E tudo isto passa a não ser mais nosso. Daí, passamos a receber propagandas ligadas à decisões que fazemos; são os algoritmos. Empresas utilizam nossas informações para nos vender de tudo: é a primeira fase da era digital.

– Segunda fase da era digital é o metaverso, quando devemos nós mesmos entrar para a internet, com óculos e luvas que nos levam para um espaço virtual, com avatares. Será o novo mundo do trabalho.

– Esta era digital produz uma nova divisão do trabalho: países que produzem e exportam bens e serviços digitais e países que consomem esses bens e serviços digitais. Os que consomem precisam exportar para fazer receita e poder importar os bens e serviços digitais.

– O Brasil exporta soja, milho e outros produtos para serem comida de porcos e vacas e ter o dinheiro para importar bens e serviços digitais. Nos modernizamos com a internet, mas mantemos atividades primitivas.

– O Brasil é 4º mercado consumidor de bens e serviços digitais. Também é a 13ª economia do mundo. É a 6ª maior população do mundo.

NOVA CLASSE TRABALHADORA

– Há 40 anos atrás, nos anos 80, quando surgiu o novo sindicalismo, o trabalhador tinha identidade e pertencimento, tinha uma categoria e um sindicato.

– Hoje existem os trabalhadores precários, que fazem qualquer coisa. Não têm identidade, nem categoria, nem pertencimento. Não se identificam com os movimentos sindicais e movimentos de bairro. Mas buscam identidade, pertencimento e sociabilidade.

– Algumas igrejas neopentecostais e o crime organizado oferecem essa sociabilidade. São instituições que convivem com o trabalhador, pois estão próximas de casa. O pastor conhece as pessoas pelo nome e o lema é “fale que eu quero te ouvir”. Procura trabalho para as pessoas individualmente. Oferece esperança. Não resolve o problema social, mas resolve o individual.

– O crime organizado tem “política de formação”; chega a custear estudos, por isto dizem que parte do aparelho do Estado tem representantes do crime organizado, incluindo juízes.

– As instituições sindicais e movimentos tem um discurso que fala em piora, porque é a verdade, mas não atrai as pessoas. O povo quer esperança. Vai no sindicato e ouve a explicação do porquê ele perdeu o emprego, mas não ouve sobre o que deve fazer agora.

DEBATE DA PLENÁRIA – PERGUNTAS e COMENTÁRIOS PARA O MÁRCIO

– Estamos convivendo com a necropolítica – temos a “fila do osso” e a retirada dos incentivos da Zona Franca de Manaus, por exemplo…

– Não adianta mudar só o Executivo. Temos que mudar o Congresso.

– Há sinais no fim do túnel? O que fazer?

– Se Bolsonaro for reeleito que perspectiva a classe trabalhadora terá?

– Foi falado na responsabilidade política, mas é a responsabilidade econômica do grande capital que compra a política e controla o Estado? A culpa é só na dimensão política? E como fica o conflito capital X trabalho?

CONSIDERAÇÕES DE MÁRCIO POCHMANN SOBRE AS PERGUNTAS E COMENTÁRIOS

– As instituições próximas ao mundo do trabalho se afastaram, se acomodaram e dizem que o trabalhador é que não quer participar. As sindicalizações caíram de número. Os sindicatos se encastelaram e tornaram-se ausentes dos locais de trabalho.

– Há problema de acesso digital para muitos trabalhadores.

– Nosso pensamento hoje se constrói de forma diferente. Antes, havia diversidade de informações e por aí formávamos nossa visão de mundo. O próprio encontro de famílias mostrava diversidades que enriquecia o pensamento. Hoje, a visão de mundo não é formada pela diversidade. As redes sociais formam grupos de pessoas que pensam de forma igual, pois quem pensa diferente e retirado. É outro jeito de formar consciências. Até os relacionamentos são por redes digitais.

– Sobre o capital que compra o Estado: estamos fazendo o debate sobre isto? O que estamos fazendo a respeito? Que campanha estamos fazendo?

– Sobre Bolsonaro ser reeleito, é possível que isto aconteça. E se vai piorar ou melhorar, depende do que vamos fazer.

SÓ MUDA A REALIDADE QUEM A CONHECE MELHOR. PODEMOS MUDAR, SEM MEDO DE OUSAR. SEM PENSAR PEQUENO E SEM NOS ACOMODAR.

Por: Antônia Carrara e Alessandra Lazzari

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