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Encontro reflete sinodalidade e discute a promoção de uma sociedade mais justa.

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Por padre Tiago Barbosa | Especial 6ª Semana Social Brasileira

O segundo dia do Seminário “O Brasil que temos” contou com assessorias, painéis e formação de grupos por regiões geográficas para implantar estratégias para fortalecer a 6ª Semana Social Brasil (SSB) nos regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O encontro que reúne dezenas de lideranças brasileiras na capital federal segue até amanhã, dia 04

Painéis refletiram sobre “Sinodalidade como método para transformação social e política” e “Bem Viver dos Povos: o que é?”. Fotos: Cláudia Pereira/Articulação das Pastorais do Campo.

As atividades do segundo dia do Seminário “O Brasil que temos” teve início pela manhã de hoje, dia 03, com a celebração do ofício divino de comunidades que ressaltou a dimensão do “Teto”, fazendo memória ao tema da 6ª Semana Social Brasil (SSB) “Mutirão pela Vida: por Terra, Teto e Trabalho”. O encontro, que reúne mais de 70 líderes de organismos, pastorais e movimentos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ocorre no Centro Cultural de Brasília (CCB), casa dos Jesuítas no Distrito Federal.

Pela manhã, a temática da “Sinodalidade e Bem Viver” ocuparam a atenção dos participantes. Conduzido por Sara Sanches, do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), e pelo assessor das Comunidades Eclesiais de Base (CEB´s), Celso Pinto Carias, o momento trouxe à tona a realidade dos povos originários no país e como a estrutura sinodal da Igreja pode contribuir para a estruturação do projeto popular de uma sociedade mais justa.

“Os indígenas não defendem somente suas existências, mas também a dignidade de todos os povos e o cuidado com a terra”, explicou Sara ao apresentar a sensibilidade dos povos tradicionais pelo zelo para com a Casa Comum e a identificação com a Criação.

Ao falar do Sínodo 2021-2023 “Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão”, convocado pelo Papa Francisco, Celso Pinto Carias, que também leciona na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC Rio), motivou os participantes no diálogo eclesial para com a os projetos e movimentos sociais na promoção de uma realidade melhor, a partir da estrutura sinodal: “o Sínodo precisa ser entendido como nossa maneira de ser Igreja. A sinodalidade é uma visão constitutiva do corpo eclesial”, disse.  

A análise de conjuntura “O Brasil que temos: Terra, Teto e Trabalho” destacou aspectos da síntese recolhida dos seminários regionais que aconteceram entre 2021 e 2022.

OS TRÊS T´S

Em vídeo, o cardeal Steiner, Arcebispo Metropolitano de Manaus (AM) e presidente da Comissão Episcopal Especial para a Amazônia, saudou as lideranças do Seminário enfatizando que a 6ª SSS busca, em todo o país, despertar as pessoas de boa vontade para viver sem desigualdades, discriminações e preconceitos. “Estamos em mutirão para que todos tenham além do mínimo necessário e possam viver com Terra, Teta e Trabalho”, falou Dom Leonardo Ulrich.

Painéis também marcaram a reflexão da quarta-feira.  Tereza Maia, do Projeto Brasil Popular, indicou as ofensivas sobre os bens comuns e exemplificou que na Amazônia, como em outros biomas, “a natureza se transforma em mercadoria”. Da Rede Jubileu Sul Brasil, Sandra Quintela, mostrou que, no Brasil, a situação do Teto se agrava principalmente no campo e também explanou sobre a realidade da violência à mulher, a fome nas favelas e nas periferias, e a reprodução do racismo estrutural praticado pelo Estado. 

No que tange o Trabalho, Jardel Lopes, da coordenação da 6ª SSB e da Pastoral Operária, enfatizou os aspectos da falta de emprego e da precarização do trabalho; a informalidade do trabalho; a as desigualdades e violências de gênero e raça; acidentes no ambiente de trabalho e também os sinais de resistência. “O desemprego, a alta rotatividade, a ausência de auxilio emergencial e a informalidade, alavancaram as condições análogas à escravidão, a uberização e o trabalho degradante intermitente. Todavia, a reflexão, a resistência, a solidariedade e a luta por direitos esperançam uma sociedade do bem viver!, concluiu.  

O momento orante na construção do Projeto Popular “O Brasil que queremos: o Bem Viver dos Povos” reafirmou o compromisso na luta por moradia digna e terra para todas as pessoas.

O Projeto “Encantar a Política”, o 28º Gritos dos Excluídos (as), a “Campanha contra a violência no campo”, a Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agriculturas Familiares (CONTAG), integraram a pauta do dia com apresentações das agendas e seus impactos na construção da fraternidade social. 

A programação contou com a divisão dos participantes em grupos por grandes regiões brasileiras e, a partir das realidades regionais, discutiram o bem viver da sociedade nas bases.  

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