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Pastoral Operária do Brasil realiza formações sobre a realidade brasileira.

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Durante os meses de julho e agosto, a Pastoral Operária do Brasil realizou rodas de conversas nos grupos de base nas quatro regiões onde a pastoral está organizada, através de cartilhas cujos temas refletidos foram “Dívidas Sociais e a Precarização do Trabalho”.  Esta atividade faz parte do projeto cujo tema é “Promoção da justiça no mundo do trabalho”, sendo financiado pela Rede Jubileu Sul Brasil.

No mês de agosto, seis estados (Paraná, Espírito Santo, Minas Gerais, Ceará, Paraíba e Amazonas) fizeram momentos de formação com temas ligados às reflexões feitas nas rodas de conversas, através de cartilhas preparadas pela colegiada nacional, com temas aprofundados em um dia e meio de troca de saberes com assuntos como: dívidas sociais, privatização e precarização do trabalho, onde trouxeram à tona como as decisões tomadas pelo poder econômico afetam vidas. Causam mortes, miséria, fome, doenças, desemprego, eliminam legislação de proteção ao meio ambiente e direito trabalhista, tudo em nome da ganância pelo lucro. Pagamos a dívida pública, feita pelo governo para ajudar cada vez mais aos banqueiros – dívida que não é nossa. Essa escolha que o governo federal faz estimula os desmandos de grandes empresas que, em nome do lucro, matam as vidas sem nenhuma punição. Elas têm nomes: VALE, MANGELS, AGROPEL, dentre outras e estão situadas em nossas regiões. Isso demonstra qual a prioridade em relação ao bem comum da sociedade. Ao optar por enriquecer ainda mais o capital financista, negligencia o acesso por parte da população às políticas públicas para mulheres, negras e negras, trabalhadoras e trabalhadores (trabalho precarizado), empobrecidas e empobrecidos da cidade e do campo.

Outro assunto escolhido para os dias de formação foi à discussão sobre o trabalho escravo e com a pergunta: trabalho escravo existe? O que se percebe é que para mascarar a realidade, se introduziu na sociedade o discurso de que não existe, mas sim o trabalho análogo à escravidão. Inclusive observa-se que tem aumentado consideravelmente e com especificidades não só rurais, mas urbanas também.

Nessa linha, observa-se que o trabalho escravo ultrapassa a realidade rural e vai sendo atualizado ao longo dos tempos. Com as plataformas por aplicativos e a inteligência artificial, empregos e direitos trabalhistas, assim como qualquer direito, são destruídos. 33% da população brasileira não tem acesso à internet. Essa também é uma maneira de escravizar pessoas.

Apesar dessa “cultura” sendo incutidas nas pessoas, as denúncias têm aumentado, inclusive em relação ao trabalho doméstico e da construção civil, além do trabalho rural. Importante salientar que no trabalho escravo estão mulheres e homens e em sua maioria negras e negros.

Chama a atenção, as dificuldades que a justiça encontra para tipificar um trabalho como escravo, haja vista ter se tornado uma certa “cultura”, pois as pessoas se sentem obrigadas a se submeterem a qualquer tipo de ocupação, até por um prato de comida, para não passarem fome, achando que isso é normal. 

Um assunto presente nos cursos das regiões sudeste e sul foi a análise de conjuntura que contribuiu para um melhor entendimento do que está por trás desta realidade que nos cerca, mas também em nível de América Latina e mundo. A importância da participação popular, no sentido de que é participando nas diversas instâncias de organização política que se conseguirá mudar a realidade que vivemos.

Por fim, fica para nós a tarefa de continuar o trabalho de base de forma efetiva junto às trabalhadoras e aos trabalhadores vítimas de todo e qualquer tipo de trabalho precarizado e por consequência a escravidão moderna, seja ele terceirizado, informal, por aplicativos, pelo “empreendedorismo”…, afim de que todas e todos tomem consciência da importância da luta pelos direitos e da organização. Importante ressaltar que essa consciência também passa pela mudança da legislação.  

Marina de Oliveira

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