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Grito dos Excluídos e das Excluídas chega a 28 anos de luta por Justiça Social

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Entre as reivindicações históricas estão o direito à alimentação, à moradia, ao trabalho e à democracia

Por Clara Aguiar | Brasil de Fato 

No dia 7 de setembro de 2022, o Grito dos Excluídos e das Excluídas vai novamente às ruas do Brasil para perguntar: “Independência para quem?”.

Desde 1995, movimentos populares, grupos da sociedade civil e ordens religiosas se unem no dia 7 de setembro contra as mais variadas formas de exclusão. Em 2022, ano que marca o bicentenário da Independência do Brasil, a ação coletiva tem como objetivo denunciar injustiças na construção da soberania nacional e negligências do governo Bolsonaro. 

Mesmo após quase 200 anos do grito “independência ou morte”, entoado por Dom Pedro I às margens do rio Ipiranga, ainda perdura o questionamento: qual independência há, de fato, no Brasil? E para quem? Essa é a reflexão proposta pelo Grito dos Excluídos e das Excluídas anualmente em diversas cidades do país, em paralelo ao desfile cívico-militar do 7 de setembro, data que nos últimos anos tem sido marcada por atos a favor e contra o presidente Jair Bolsonaro (PL).

“Essa edição, de forma especial, quer mostrar que as nossas instituições públicas estão sendo desrespeitadas pelo atual governo e, sobretudo, denunciar o agravamento da fome, a versão mais cruel da desigualdade. Uma fome que é resultado de escolhas políticas”, comenta a educadora popular Márcia Falcão, integrante do Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD), entidade que participa da organização do Grito. 

Desde o início do Grito dos Excluídos e das Excluídas, a segurança alimentar sempre esteve no centro do debate. E, após 28 anos de luta, o acesso regular e permanente a alimentos de qualidade e em quantidade suficiente continua a ser reivindicado. Sob Bolsonaro, o Brasil voltou ao “Mapa da Fome” em 2021.

De acordo com o relatório da ONU “The State of Food Security and Nutrition in the World” [Situação da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo – disponível somente em inglês], o percentual de brasileiros que não sabem quando vão fazer a próxima refeição está acima da média mundial. “Foi o povo organizado em cozinhas comunitárias e em movimentos populares que fez um grande mutirão para enfrentar a fome. É esse povo que constrói o nosso país de baixo para cima. E o Grito dos Excluídos e das Excluídas vai para rua gritar não só contra a exclusão, mas gritar a importância da força dessas pessoas que constroem no dia a dia a resistência e a sobrevivência”, ressalta Márcia. 

Por uma nação livre, independente e soberana

Nacionalmente, o Grito dos Excluídos e das Excluídas surgiu em 1995, a partir da 2ª Semana Social Brasileira da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A primeira mobilização ecoou em 170 localidades do país e teve como lema “A vida em primeiro lugar”. Ainda que sua origem seja católica, de lá pra cá, o ato simbólico expandiu-se para outros âmbitos, envolvendo movimentos populares, religiosos e sindicais, entre outras organizações comprometidas com as causas das populações mais vulneráveis.

Segundo o secretário do Grito continental, Luiz Bassegio, o protagonismo é antes de tudo dos excluídos e das excluídas. “Para que eles contem suas dores, seus lamentos, suas dificuldades, fazendo com que tenham voz própria. Esse é o sentido do Grito”, afirma. Luiz acrescenta que o 12 de outubro, data que recorda a chegada dos espanhóis à América, também não é um dia de comemoração: “Nós não celebramos a ‘descoberta’, mas a resistência dos povos”.

Para além das atividades promovidas no dia em que o Brasil supostamente pôs fim às relações de poder coloniais, o Grito dos Excluídos e das Excluídas acontece antes, durante e depois do dia 7 de setembro. Embora potencializadas no nono mês, as reflexões e ações perduram o ano todo, por meio de reuniões, lutas específicas do dia a dia, debates e formação de lideranças. 

Entre os principais pilares do Grito dos Excluídos e das Excluídas estão: analisar criticamente o atual modelo de “desenvolvimento” baseado no lucro e na acumulação privada; lutar contra a privatização dos recursos naturais, bens comuns e contra as reformas que retiram direitos das trabalhadoras e dos trabalhadores; ocupar os espaços públicos e exigir do Estado a garantia e a universalização dos direitos básicos; promover a vida e anunciar a esperança de um mundo justo, com ações organizadas a fim de construir um novo projeto de sociedade.

Fonte: BdF Rio Grande do Sul

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