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A 35ª Romaria dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Aparecida – SP teve o Lema: “Mãe Negra Aparecida, rezamos e lutamos em defesa da vida.”

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A romaria das trabalhadoras e dos trabalhadores junta a força da religiosidade popular com as reivindicações da luta do povo trabalhador. Organizada pela Pastoral Operária e Serviço Pastoral dos Migrantes, há 35 anos, vem reunindo, anualmente, em 7 de setembro, milhares de pessoas que partem de várias localidades dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais, chegando ao Santuário de Aparecida – São Paulo.

            As movimentações já se iniciam no mês de março de cada ano, quando a equipe de organização começa a se reunir para refletir e chegar ao lema do ano.

            O lema deste ano retrata a realidade do povo trabalhador que reza e luta todos os dias, com resistência, diante de tantos ataques dos capitalistas e do governo. Reza e luta para defender todos os direitos que compõem uma vida digna, em todas as suas fases e para toda composição da Casa Comum, que é a nossa Mãe Terra.

História

A primeira Romaria ocorreu em 1988, com o Lema: “Mãe, este povo passa fome”. Atualmente, a Pastoral Operária prepara a Romaria, juntamente com o Serviço Pastoral dos Migrantes.

A partir do ano de 1995, quando ocorreu o 1º Grito dos Excluídos, ele acontece em conjunto com a Romaria das Trabalhadoras e Trabalhadores.

Para que serve a Romaria?

A romaria tem uma grande tarefa, que é subjetiva: fortalecer o espírito humano, assim como outras romarias também tem, no entanto esta romaria traz um elemento a mais: a reflexão sobre a questão do trabalho.

Fortalecer o espírito humano é essencial diante da ofensiva neoliberal que constantemente se ocupa em dominar os pensamentos, sonhos, história e tradições, com o intuito de debilitar o povo trabalhador em suas lutas.

Aí vem o esforço para dar conta da tarefa: juntar o povo, lembrar a história, resgatar valores, reavivar a memória e as tradições. Tudo o que nos torna mais humanos.

Por isso, é preciso resgatar forças no povo. A religiosidade popular tem um poder para esse resgate. E a nossa romaria, agrega esta religiosidade às denúncias, reivindicações e críticas ao sistema capitalista. Agrega dois elementos fortes da vida do nosso povo: fé e trabalho.

Mãe Negra Aparecida

Tendo em vista que o capitalismo despreza o valor das mulheres e mais acentuadamente as mulheres negras, como comprovam as estatísticas, nós da Romaria dos trabalhadores e das trabalhadoras ressaltamos com orgulho que o símbolo da fé de milhões de pessoas é representado pela figura de uma mulher negra, figura que também representa todas as mulheres, aquelas que geram vida e nos lembram as raízes e heranças culturais e genéticas da descendência afro do povo brasileiro.

A Mística na Tenda dos Mártires

           No dia 6 de setembro as organizadoras e organizadores vão até Aparecida para iniciar a programação, com a mística na Tenda dos Mártires.

No ano de 2007, enquanto acontecia na Basílica, a 5ª. Conferência dos Bispos da América Latina, TRABALHADORAS E TRABALHADORES DO CAMPO

E DA CIDADE MONTARAM UMA TENDA EM UM TERRENO EM APARECIDA. O LOCAL FICOU CONHECIDO COMO TENDA DOS MÁRTIRES. E LÁ ACONTECERAM encontros, orações e estudos com o povo de Aparecida e pessoas vindas de vários locais, mostrando assim, o rosto da Igreja-povo.

Logo depois, a equipe se juntou com famílias de Aparecida para rezar o TERÇO DO POVO TRABALHADOR QUE REZA E LUTA. O terço da noite, escrito pelas/os próprias/os agentes de pastoral com muita união fraterna, juntou as dores, lutas, sonhos, compromissos e futuro do povo trabalhador.

O dia 7 de setembro inicia com mística e caminhada

As/os romeiras/os e manifestantes do Grito se juntaram bem cedo em concentração na Praça Nossa Senhora Aparecida, em frente à Basílica Histórica, onde foi realizada a mística, com reza, cantos com o coral Canto da Rua, palavras de ordem e uma ciranda com todas as pessoas presentes na praça.

  As/os participantes saíram em caminhada até o Santuário de Nossa Senhora Aparecida, percorrendo as ruas de Aparecida. Nesta marcha foram feitas três paradas, e aí se realizou o Grito dos Excluídos. O Grito dos MÁRTIRES, Grito contra a VIOLÊNCIA ESTRUTURAL (indígenas, mulheres, LGBTQIA+, População negra, falta de moradia, desmonte da saúde, desemprego, fome…) e na última parada o Grito da RESISTÊNCIA, quando todas e todos reafirmaram a luta pela democracia e gritaram que O MAL JAMAIS VENCERÁ!

O Grito

Tendo como tema permanente “Vida em Primeiro Lugar!”, o Grito dos Excluídos e Excluídas, em 2022, ano em que se comemora o bicentenário da independência do Brasil (consagrada com o grito do Ipiranga, bradado por Dom Pedro I), questiona: (In)dependência para quem?

Nestes 28 anos de história, o Grito dos Excluídos e Excluídas mudou a cara do 7 de setembro e da semana da Pátria, tornando-se um contraponto ao grito do Ipiranga. Chamou o povo para descer das arquibancadas dos desfiles cívicos e militares e participar, ativamente, na luta por seus direitos, e ocupar as ruas e praças, nos centros e nas periferias de todo o Brasil.

O lema anual do Grito sempre dialoga com o tema da CF – Campanha da Fraternidade, da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), com a conjuntura política, social e econômica do país e com a luta dos movimentos populares e sociais.

Muito mais que um ato, o Grito das Excluídas e dos Excluídos é um processo de construção coletiva que se dá durante todo o ano, antes e após o 7 de setembro. É uma manifestação popular, que acontece em todo o país, carregada de simbolismo, espaço de animação e profecia, sempre aberto e plural de pessoas, grupos, entidades, igrejas, religiões e movimentos sociais comprometidos com as causas da população mais vulnerável. Não podemos ficar indiferentes a essa realidade que atenta contra a vida do nosso povo, porque acreditamos que é possível, urgente e necessária a construção de um outro modelo de sociedade!

Missa na Basílica de Aparecida

            A missa das 9 horas no 7 de setembro teve a simbologia da Romaria das trabalhadoras e trabalhadores e também do Grito dos Excluídos e das Excluídas, cujos banners e faixas adentraram na Procissão de Entrada e na Procissão da entrada da imagem de Nossa Senhora. Trabalhadoras e trabalhadores reproduziram o desenho alusivo à Romaria deste ano, trazendo a Mãe Negra Aparecida jovem, tal qual no cartaz e demais materiais da Romaria. Acompanhando a jovem Mãe Maria, agentes de pastoral representando trabalhadoras do campo, da saúde, da educação, da limpeza pública; um jovem trabalhador em aplicativos e uma jovem representando estudantes.

            Presidida por Dom Orlando Brandes, arcebispo de Aparecida – SP, a missa pode ser visualizada integralmente no link abaixo.

https://youtu.be/zacq4j5KVUE

Antônia Carrara – Coordenação da Romaria das Trabalhadoras e Trabalhadores.

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